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Exclusivo: entrevista com Hegel Braga da Fox

Posted on 29 janeiro 2010 by Jotacê

Publicamos hoje a entrevista exclusiva do Diretor de Marketing da 20th Century Fox do Brasil, Hegel Braga, concedida por e-mail. Novamente, não conseguimos muitas informações (o que não nos surpreende mais nessas declarações de diretores das majors ao BJC). Como sempre, questões importantes para nós colecionadores não são reveladas, ou são, mas com respostas que já sabíamos por outros meios.

Só que dessa vez foi diferente: as perguntas foram construídas de forma que ficassem muito claras, com exemplos e links para os principais questionamentos que foram apontados em quase dois anos de BJC. Mesmo assim, o executivo se pronunciou de maneira mais evasiva que o normal. Quando formulou uma resposta um pouco mais elaborada, resolveu colocar em dúvida a credibilidade do Prêmio BJC 2009, em que a Fox Brasil foi eleita a pior produtora do ano que passou.

Fique claro desde já que o nosso objetivo não é apenas apontar os erros e tripudiar em cima deles. Queremos realmente qua a Fox melhore no Brasil e por isso procuramos o seu diretor para esta entrevista.

O Prêmio BJC 2009 foi conduzido de forma responsável, sendo uma pesquisa com resultado aberto a cada voto, restrita a um voto por IP, totalmente transparente, que qualquer um poderia fiscalizar. Acredito que duvidar de sua credibilidade é negar os fatos que são irrefutáveis, ainda mais que foi muito bem recebido pelas vencedoras dos prêmios positivos (como Warner, Paramount e principalmente a Disney que o divulgou na imprensa).

Ao meu ver, a imagem da raposinha com a cabeça enfiada no buraco nunca foi tão apropriada para a Fox, que respondeu as perguntas abaixo de maneira padronizada (em certos momentos nem respondendo). Era uma oportunidade de rebater tudo o que colocamos, argumentando de forma firme e definitiva, mas não foi isso o que aconteceu.

Muitos pontos da entrevista ficaram em aberto. Identificamos isso e tentamos (pela primeira vez) uma réplica para que tivéssemos as respostas. Mas infelizmenteas dúvidas não foram esclarecidas por escolha da própria Fox.

Abaixo a entrevista na íntegra.

Super Box de 24 Horas: em Digistak e exclusivo do Brasil

Blog do Jotacê – A Fox, durante os anos de maior apelo no mercado de DVDs (entre 2003 e 2005), procurou de alguma maneira oferecer produtos de qualidade razoável (duplos, com DTS, bem encartados etc). Neste período, tivemos edições diferenciadas para os colecionadores brasileiros, como a Cabeça do Predador, Maleta 007 e até a exclusiva caixa de 24 Horas (“orgulho nacional” que só foi lançada aqui no Brasil). Mesmo com preços elevados para os padrões nacionais, eram artigos altamente colecionáveis. Porém, hoje em dia a Fox é considerada a pior produtora do país (eleita com 40% de rejeição em uma enquete entre colecionadores) pela qualidade do que está disponibilizando. O que aconteceu nos últimos quatro anos e o que a Fox pensa sobre essa desaprovação?

Hegel Braga – Não temos como comentar o resultado de uma enquete a qual não tivemos acesso nem conhecemos a forma como foi conduzida ou apurada. Quanto às edições especiais, realmente houve uma redução nessas ofertas, devido ao baixo retorno alcançado com as últimas experiências. Essa é uma tendência na maioria dos mercados onde a Fox atua.

BJC – Um dos ícones da rejeição da Fox pelos colecionadores é o estojo Slim (explicamos melhor neste artigo os problemas com a embalagem), que surgiu como alternativa para coleções de séries e que hoje invadiu praticamente todo o catálogo de filmes da produtora. Na mesma enquete citada na pergunta anterior, os colecionadores escolheram os DVDs em Slim da Fox os piores do ano de 2009. A justificativa da Fox está baseada em uma pesquisa com consumidores, que hoje desaprovam totalmente o estojo fininho. Mediante este quadro, existe a possibilidade da Fox voltar atrás na decisão e abandonar o Slim?

Braga – Estamos sempre dispostos a rever nossas estratégias, sempre que por motivo razoável. Desde que adotamos essa nova embalagem, a mesma foi aprovada e elogiada pelo segmento de varejo e pelos consumidores em geral. Evidentemente, não é uma unanimidade, nem sequer temos a presunção de que venha a ser.

BJC – Para nós colecionadores, a questão das embalagens é tão importante quanto o conteúdo. Qual o motivo da Fox lançar o mesmo filme para locação em estojo normal (Amaray) e para venda direta em estojo Slim? Qual a razão dos colecionadores não terem o mesmo tratamento das locadoras?

[SEM RESPOSTA]

BJC – A Fox é a produtora nacional com o maior número de séries de TV descontinuadas em DVD. Nada menos que 11 séries iniciaram por aqui e foram interrompidas, frustrando milhares de fãs no Brasil. O que a Fox tem a dizer a respeito?

Braga – O lançamento e manutenção de séries de TV em catálogo deve obedecer a uma relação de custo/benefício que seja positiva e comercialmente viável para a distribuidora. Infelizmente, não conseguimos manter em catálogo ou lançar todas as temporadas de todas as séries de TV produzidas pela Fox e pela MGM.

BJC – É possível que séries como Angel e Buffy ainda tenham suas sequências lançadas?

Braga – As séries Buffy e Angel foram lançadas até 5ª e 2ª temporada respectivamente e não temos previsão no momento do lançamento das demais temporadas.


DVD em envelope de papelão: mico de 2009, precisa ser anunciado como original

BJC – Sabemos que a pirataria é um problema cultural do brasileiro e que só o colecionador de verdade é que valoriza o DVD original. Uma das piores notícias de 2009 foi o lançamento de DVDs da Fox em envelopes de papelão, que certamente não estavam voltados para o colecionador mais hardcore, e sim mais para o mais casual. Mesmo assim, a Fox não acha que rebaixar os seus produtos ao nível de um pirata falsificado acaba por desvalorizar todo o mercado? Esses DVDs no envelope continuarão sendo lançados?

Braga – OS DVDs em embalagem de papelão têm como objetivo atingir canais de venda alternativos, e, através destes, consumidores que normalmente não têm acesso ao DVD original. É uma forma de lutarmos contra a pirataria. A Fox tenta de forma criativa oferecer uma alternativa low cost/low price. Além disso, todos os títulos lançados neste formato estão disponíveis no formato tradicional.

http://www.blogdojotace.com.br/wp-content/uploads/2009/04/paix-e3o-de-cristo-requentado.jpg
DVDs antigos com novas capas: os famosos requentados.

BJC – Sobre o conteúdo: a Fox lançou uma linha de DVDs chamada “Definitive Edition”, em que vários títulos foram “requentados” com novas capas e belas luvas, porém com o mesmo conteúdo das edições antigas (mesmos discos). Em casos como “Cruzada” a Fox inclusive descreveu o produto como a versão do diretor, só que na realidade eram os mesmos discos de antes da versão de cinema. Qual o motivo das edições realmente definitivas não serem lançadas no Brasil?

Braga – A coleção Definitive Edition foi lançada no Brasil de acordo com o material disponibilizado por nossa matriz. Nenhum conteúdo foi alterado. Alguns títulos realmente não apresentavam conteúdo extra.

BJC – Entre o período de 2005 e 2007, a Fox lançou mais de cem títulos clássicos da série FOX Classics e diversos títulos da série Cinema Reserve. Desde 2008, os títulos que são lançados são raros, salvo um ou outro lançamento da Cinema Reserve. Existe alguma intenção de lançar algo voltado aos fãs de filmes antigos?

Braga – A Fox está revendo e preparando uma nova leva de produtos que valorizam o seu acervo.

BJC – O Blu-ray, mesmo após quase dois anos do encerramento da guerra dos formatos continua muito caro no Brasil. Não existe o interesse em popularizar o formato? Até quando o Blu-ray será tratado como produto Premium aqui no país?

Braga – Até o momento, os discos Blu-ray são importados, o que inviabiliza a redução de seus preços, principalmente porque ainda representam volumes pouco expressivos. Ao longo de 2010, com a expansão da base instalada e o início da produção local, certamente o preço final ao consumidor irá reduzir bastante.

BJC – Quando a Fox irá iniciar a produção de Blu-rays no Brasil com a Videolar? Quais serão os primeiros títulos? Quanto custará um Blu-ray no lançamento?

Braga – Ainda não temos informações.


Ainda resta uma esperança para ter o DVD de Avatar em estojo normal (arte produzida por fãs)

BJC – Para finalizar: Avatar já é um dos maiores sucessos de bilheteria da história do cinema. Certamente milhares de colecionadores no Brasil desejam desde agora ter ele em DVD em suas coleções da melhor maneira possível. A pergunta é: o DVD de Avatar será lançado em embalagem Slim no Brasil?

Braga – Isso ainda está sendo discutido.

Pelo jeito, ainda vamos ter que repetir MUITO o #MeRespeiteFox.

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Exclusivo: BJC entrevista Ritchie!

Posted on 20 janeiro 2010 by Jotacê

Outra Vez – Ao vivo no estúdio” – primeiro registro ao vivo do cantor Ritchie, marcando seus 26 anos de carreira-solo – entra para a história do home video brasileiro. Além do CD e DVD, a apresentação em HD é o primeiro Blu-ray 100% nacional. A gravação traz seus maiores sucessos, releituras especialíssimas, além de duas músicas inéditas: a canção título, “Outra Vez”, parceria com Arnaldo Antunes e “Cidade Tatuada”, com letra de Fausto Nilo.

O diretor de cinema, Paulo Henrique Fontenelle, captou as imagens da gravação em alta-resolução (FullHD 1080p) e acrescentou aos extras o documentário, “A Vida Tem Dessas Coisas”, contando a trajetória do artista desde a infância até os dias de hoje. Nesse documentário há depoimentos de novos e antigos parceiros como: Bernardo Vilhena, Lobão, Arnaldo Antunes, Lauro Salazar e Steve Hackett, entre outros. Há ainda um “Making of”, dirigido por Bernardo Mendonça, sobre os bastidores da gravação.

Ritchie fala com exclusividade sobre os detalhes deste trabalho na entrevista abaixo, concedida gentilmente via e-mail.

Blog do Jotacê – Além do CD e do DVD, como surgiu a ideia de lançar “Outra Vez” também em alta definição?

Ritchie - O estúdio onde gravamos no Rio (Visom) já tinha cameras FullHD para registrar a performance da banda e uma sala de autoração de Blu-ray. Quando vi a qualidade das imagens pensei imediatamente que seria legal levar esta mesma qualidade até o consumidor. A oportundade de inovar com esta nova tecnologia foi também por motivos estratégicos. Com isso foi possível criar um diferencial para nosso produto.

BJC – Como você vê o mercado de Home Video (especialmente shows) hoje no Brasil? Como um artista pode lidar com a pirataria de sua obra, focando no fã colecionador do produto original?

Ritchie - O Brasil já é um dos maiores mercados mundiais no consumo de DVDs musicais. Por isso mesmo – e pela falta de um serviço alternativo com a Netflix, bem disseminado nos EUA – a pirataria no Brasil tem se tornado um problema grave, em função do baixo poder aquisitivo de uma grande fatia da população. Felizmente, ainda não há como piratear o Blu-ray mas, em compensação, ainda é um produto para poucos, devido ao custo elevado dos aparelhos e dos próprios discos. Mesmo assim, conseguimos oferecer nosso produto a um preço bem abaixo do similar importado. De um ano pra cá, os aparelhos cairam de preço em quase 60% e tendem a cair ainda mais em 2010. No final das contas, nossa meta é chegar na maior número de ouvintes/espectadores possível. Hoje em dia, é preciso pensar lateralmente e não apenas nos lucros imediatos.

BJC – O seu Blu-ray é o primeiro a ser produzido pela Microservice no Brasil, e também é o primeiro 100% nacional (totalmente captado, editado, autorado e replicado no país). Os exemplares que estão nas lojas já foram replicados aqui?

Ritchie – Nosso Blu-ray teve uma primeira tiragem promocional, ainda pequena, que foi fabricada na Alemanha mas, a partir de novembro do ano passado, quando a Microservice inaugurou a fábrica nova em Manaus, nosso Blu-ray se tornou o primeiro produto do gênero 100% brasileiro, inclusive na fabricação.

BJC – Você já afirmou no seu Twitter que o preço do Blu-ray deve ser o menor possível para se popularizar mais facilmente. O que você pensa sobre futuro do Blu-ray no Brasil?

Ritchie – Eu me surprendi com o crescimento de interesse pelo Blu-ray no Brasil. A própria Microservice, que inicialmente pensou em uma tiragem inicial bem modesta, quadriplicou esta tiragem na edição inicial do nosso produto. Já vamos para a segunda edição do Blu-ray, seguindo a tendência da venda do DVD, que já vai caminhando para a terceira edição. O CD também vem sendo muito bem procurado, nas lojas, no meu site e nos shows, o que é outra agradável surpresa para nós.

BJC – Quais foram os equipamentos utilizados para gravação do vídeo e do áudio desta apresentação?

Ritchie – Foram utilizados tecnologias de ponta em todas as etapas da gravação e captação de imagens, desde os microfones da marca Blue, passando pela mesa digital Euphonics System-5 e técnicas de re-amplificação dos instrumentos na fase de pós-produção. O resultado foi uma gravação de qualidade invejável.

BJC – Por ser um material captado em alta definição, a produção teve algum cuidado especial com o cenário ou maquiagem diferenciada? Nos conte alguma curiosidade sobre a inovação e este desafio.

Ritchie – Devido à resolução alta de captação das imagens, onde cada detalhe (e defeito) tende a saltar aos olhos, foi usado uma maquiagem especial, mais leve do que a usada em gravações de TV, por exemplo. Queriamos um resultado bem natural, como se fosse uma “jam session” no estúdio, não excessivamente teatral, então procuramos não exagerar nesse quesito.

BJC – Qual o seu envolvimento nas decisões sobre os equipamentos utilizados nesse tipo de produção? Você é um entusiasta e acompanha as novidades das novas tecnologias?

Ritchie – Tenho enorme interesse nas novas tecnologias e sempre procurei ser pioneiro na utilização delas em todas as minhas gravações ao longo dos anos. Fui o primeiro artista a gravar com a tecnologia MIDI em 1985, por exemplo. Sempre sigo as novas tendências tecnológicas, na medida do possível, para trazer a maior qualidade ao produto final.

BJC – Além da imagem em Full HD, o seu Blu-ray também possui áudio em alta definição? Quais são as trilhas de áudio presentes na edição?

Ritchie – O áudio foi tudo captado e mixado em 96KHz/24Bits para preservar a máxima fidelidade na fonte. No nosso Blu-ray as opções de áudio são 3: Linear PCM 2.0 96KHz/24Bits (estéreo, sem compressão), Linear PCM 5:1 96KHz/24Bits (surround, sem compressão) e Dolby™ Digital 5:1.

BJC – O Blu-ray possui material adicional (extras)? Estão em alta definição? Quais são eles?

O material dos extras, o Documentário, “A Vida Tem Dessas Coisas” e o “Making Of” foi tudo captado em cameras portáteis de HD mas levou alguns tratamentos nas pós-produção para simular filme super-8 (idéia do diretor Paulo Henrique Fontenelle) para contrastar com a alta qualidade das imagens de estúdio. Optamos também por uma qualidade inferior na captação do áudio para conservar a ilusão de lo-fi nas partes faladas. Gostei do resultado que fez com que a parte musical tivesse um maior destaque.

BJC – Para encerrar: você também é colecionador de DVDs e Blu-rays? Quantos filmes e shows possui na coleção?

Coleciono alguns poucos dvds de curtas importadas (quase toda a série SHORT da Quickband/WB), algumas coletâneas da série Anima Mundi e alguns longas de animação (uma paixão antiga), e muitos dvds musicais, a grande maioria importados. Tenho poucos filmes. Prefiro alugar. Minha coleção é modesta, talvez uns 100 DVDs ao todo. O único Blu-ray que possuo no momento é o meu, mas isso vai mudar muito em breve. Alugo discos Blu-ray, com frequência cada vez maior, de locadoras locais onde já é possível encontrar um boa seleção no formato. Felizmente o aparelho Blu-ray lê todos os formatos anteriores de DVD e CD e, por isso, não há necessidade de mais de um aparelho.

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Sobre o sorteio:

Além da ótima entrevista acima, Ritchie ainda nos enviou um exemplar do Blu-ray AUTOGRAFADO para ser sorteado aqui no BJC! Não bastasse o seu pioneirismo em alta definição, agora o BD do artista é o primeiro a fazer parte de uma promoção como essa na internet brasileira!

Para concorrer ao Blu-ray acima, você deve seguir as regras abaixo:

1 – Estar cadastrado no IntenseDebate;

2 – Comentar neste post sobre uma música marcante do artista ou alguma curiosidade a respeito de seu trabalho.

O sorteio será realizado quando tivermos um número considerável de comentários relevantes e que respeitem as regras acima.

Agora é com vocês! :D

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Exclusivo: entrevista com o presidente da Videolar

Posted on 04 outubro 2009 by Jotacê

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Centro de Distribuição Michel Wojdyslawski (Unidade 5 da Videolar) em Manaus

Desde o anúncio bombástico sobre a replicação de Blu-rays no Brasil feito pela Microservice no final de agosto, os leitores do Blog do Jotacê ficaram se perguntando quando a Videolar (sabidamente a replicadora mais conceituada entre nós colecionadores) daria início aos trabalhos de produção dos discos do raio azul por aqui.

E foi com essa ideia inicial que procuramos o presidente da empresa, Phillip Wojdyslawski, para esta entrevista. Além de afirmar com exclusividade que a produção de Blu-rays começará no início do próximo ano, a matéria revela outros detalhes e o que pensa a Videolar sobre o mercado de Home Video no Brasil.

Abaixo, vídeo institucional da empresa (um pouco antigo, ainda da época em que o HD-DVD estava vivo), mas que dá uma ideia de como é a Videolar por dentro e como funcionam alguns setores de sua produção:

E vamos para a entrevista exclusiva, concedida gentilmente através de e-mail:

BJC - A Videolar é a replicadora mais bem conceituada entre os colecionadores de DVDs brasileiros. Até hoje, as melhores edições em DVD lançadas no país foram lançadas pela Videolar. Como a empresa alcançou esta excelência em um país onde a pirataria é um problema cultural e qualidade sempre fica em segundo plano?

Wojdyslawski – Primeiramente gostaria de agradecer o reconhecimento, ser uma empresa bem conceituada junto aos colecionadores de DVD nos deixa muito orgulhosos. A Videolar tem em seu DNA, e de todos os seus colaboradores o objetivo de alcançar a excelência na qualidade de produtos e na prestação de serviços, é uma questão de missão corporativa,  independente dos desafios mercadológicos. E para alcançar este objetivo, precisamos praticá-lo no dia a dia, contamos com importantes parceiros: clientes, fornecedores e colaboradores, profissionais altamente qualificados.

BJC - Como a empresa vê o mercado de Home Video atualmente no Brasil, em crise no setor de rental e com os colecionadores sendo os únicos a valorizar o produto original?

Presidente da videolarWojdyslawski – Não temos dúvidas que os colecionadores valorizam o produto original, mas ainda há milhões de outras pessoas que também valorizam produtos originais, um retrato deste cenário é perceptível quando constatamos o crescimento de peças vendidas no mercado. O mercado de Home Video não está necessariamente em crise, mas em transformação e cada vez mais se torna competitivo em termos de qualidade. Em geral, o mercado está em um processo de mudança, onde o maior desafio está na busca de alternativas para dar continuidade ao segmento, principalmente em termos de tendências tecnológicos, a exemplo do Blu-ray.

BJC - A concorrência (Microservice) já anunciou que iniciará a replicação de Blu-rays em 30 dias (ou menos). Afinal, quando a Videolar iniciará a replicação do Blu-ray no país?

Wojdyslawski – Em maio deste ano, anunciamos para os nossos clientes que até fevereiro de 2010 estaríamos com a nossa linha de Blu-ray instalada e pronta para produzir para eles. Naquele momento, estávamos terminando a negociação da compra da linha de produção. Nossos planos continuam iguais. Vamos instalar a máquina no final deste ano. Só que não conhecemos a tecnologia Blu-ray da mesma maneira que conhecemos a tecnologia do DVD. Não quisemos prometer para os nossos clientes que nós teríamos ainda este ano a máquina já funcionando. Para o cliente, não interessa quando a máquina estará funcionando, mas sim quando ele receberá o produto. Entre janeiro e fevereiro, vamos ter o produto disponível para os nossos clientes.

Bluline_II2
Máquina “Bluline II”, para a replicação de discos Blu-ray

BJC - Qual o motivo do início da produção de Blu-rays pela Videolar ainda não ter se iniciado?

Videolar_unidadeWojdyslawski – Até o momento não fazia sentido produzirmos este produto por conta da baixa demanda. Para ser um consumidor do Blu-ray é necessário mais que simplesmente o player do Blu-ray. Vivenciar a experiência da alta definição requer também adquirir um televisor compatível para que aí sim se possa desfrutar as diferenças, diferenças estas que se fazem ainda mais perceptíveis nas transmissões de eventos esportivos. Com isto, é esperado que com a Copa do Mundo, que será em junho do ano que vem, criar-se-á um mercado para estes televisores, que ainda são a peça mais cara do aparato total. Uma vez o consumidor tendo adquirido este equipamento, em decorrência da Copa do Mundo, e o player de Blu-ray tendo o preço reduzido já nesse final do ano, acreditamos que aí o mercado estará pronto. Não estará ainda massificado, pois sua consolidação não será em primeiro momento, mas estará pronto para recepcionar a produção do Blu-ray.

BJC - Como a Videolar está planejando a entrada na era do Blu-ray no Brasil? Existe previsão de edições especiais neste formato também?

Wojdyslawski – Com relação a Edições Especiais, costumamos dizer que somos “alfaiates”, aquilo que os clientes querem, nós fazemos. Prestamos serviços aos principais clientes de distribuição, como a Alpha Filmes, Europa Filmes, Fox Film do Brasil, Paramount Home Entertainment, Sony Pictures Home Entertainment, Video Filmes, Warner Home Vídeo, entre outras, e com isto, se eles pedirem produtos especiais, nós os faremos.

BJC - A Videolar fará apenas a replicação ou fará também a autoração dos discos?

Wojdyslawski – Num primeiro momento a Videolar fará apenas a replicação e distribuição. Diferente do DVD que precisa ser autorado em diversos idiomas de acordo com regiões, o Blu-ray é uma coisa só. A autoração será feita para as Américas e então não fará sentido fazermos aqui no Brasil, pois já estará pronto.

BJC - Um dos problemas para que o Blu-ray seja massificado no Brasil é o preço das mídias, ainda importadas de outros países. Quanto custará um Blu-ray fabricado aqui?

Videolar_philip_wojdylawsk2Wojdyslawski – A definição do preço final é feita pelos estúdios. Um significativo aumento no volume de produção contribuirá com a redução de custo da mídia. No entanto, o “ativador” da compra da mídia será justamente pelo fato do consumidor já ter ao menos um aparelho de TV de alta definição e o player propriamente dito. O valor não será um fator determinante para a decisão da compra.

BJC - Para finalizar, no Blog do Jotacê defendemos que o DVD permanecerá por muito tempo ainda entre nós, mesmo com a chegada do Blu-ray. O que a Videolar pensa sobre o assunto?

Wojdyslawski – Também acreditamos numa convivência entre os dois formatos por muitos anos, há um longo percurso para a consolidação do Blu-ray, são muitos os fatores que influenciam na decisão do consumidor a optar por esta nova tecnologia. Com isto, apostamos que o DVD ainda permanecerá por muito tempo entre nós. Para a Videolar, o foco estratégico é o mercado de entretenimento e de Home Video. Sendo hoje o DVD, amanhã o Blu-ray, ou o formato que for, estamos aqui para atender a necessidade dos nossos clientes. A Videolar tem por característica sempre inovar. Os consumidores podem ter certeza que vamos continuar investindo neste mercado e no futuro, e podem estar certos que, enquanto houver home entertainment, nós estaremos lá.

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Exclusivo: entrevista com Afonso Fucci da Focus Filmes/Flashstar

Posted on 07 julho 2009 by Jotacê

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Na semana que passou, colecionadores e fãs de séries japonesas ficaram de cabelo em pé com uma bomba que tomou conta de fóruns e sites especializados: surpreendentemente os DVDs de Jiraiya e Changeman, distribuídos pela Focus Filmes, estavam com uma péssima qualidade de imagem, nem de perto parecidas com os DVDs originais japoneses. Todos afirmam que esta imagem lavada é fruto de episódios ripados da TV (o que não é de se duvidar após vermos algumas das imagens publicadas pelos fãs).

Como desgraça pouca é bobagem no mundo dos colecionadores brasileiros, as legendas de Jiraiya sofreram com um “pobrema” sério de tradução/adaptação. O BJC recebeu vários e-mails, comentários e mensagens pelo Twitter mostrando tal fato, com capturas dos DVDs com as inscrições mais estranhas e bizarras da história do home video brasileiro.

Assim sendo, tudo apontava para mais um post carayístico aqui no blog, quando pensei que poderíamos publicar algo muito melhor e mais informativo. Como já ocorreu no caso da USA Filmes, resolvemos ouvir o outro lado e entrar em contato com a Focus (a Flashstar faz parte do mesmo grupo) para saber o que eles tinham a dizer a respeito, já que estão sendo MUITO criticados pelos últimos acontecimentos com seus produtos.

O resultado foi a entrevista abaixo, feita com Afonso Fucci, Gerente de Marketing e Produção da Flashstar/Focus via e-mail. Aproveitamos para tentar tirar algumas dúvidas sobre outros produtos da empresa e saber dos planos para o futuro em alta definição.

Vamos lá!

BJC - A Focus Filmes talvez seja a empresa brasileira mais preocupada em oferecer edições com embalagens diferenciadas atualmente no país (principalmente as diversas e belas latas). Como e quando vocês perceberam que apostar nos colecionadores e em um item com embalagem de qualidade é o diferencial, principalmente para enfrentar a pirataria?

FUCCIJá há algum tempo (mais de dois anos) nós fazemos embalagens diferenciadas, casos de He-Man e She-ra e outra coleção que chamamos de “Coleção Guerra”. Nossa intenção é dar ao colecionador uma embalagem que ele possa expor em sua casa e não simplesmente guardar o DVD na gaveta de sua estante.Quanto à pirataria isto não tem como nós combatermos. Se o produto é rentável, e se existe quem compra, vai ter o DVD pirata com certeza, é só ver a quantidade de Jaspions, Jiraiyas e etc. que anunciam por ai.

BJC - Mesmo apostando nos produtos como colecionáveis a Focus não costuma dar sequência aos volumes de seus lançamentos em DVD. É notório o “trauma” dos colecionadores e fãs a respeito de Fullmetal Alchemist e He-Man em DVD (só para citar dois exemplos). Afinal de contas, por que esses lançamentos são interrompidos pela Focus em seus primeiros volumes?

FUCCIExiste uma coisa que as distribuidoras de vídeo têm que respeitar que é ter contrato para poder lançar as edições em DVD. O caso de Fullmetal Alchemist nós lançamos três boxes que é o que tínhamos os contratos. Ficou faltando um box. Estamos trabalhando para conseguir estes direitos destes episódios finais, mais é um pouco morosa a negociação.

BJC - Existe uma previsão de quando teremos os próximos volumes de He-Man e She-Ra?

FUCCIHe-man é o mesmo caso, este já está um pouco mais fácil de conseguir. Esperamos lançar a continuação e finalizar ainda este ano.

BJC - A respeito dos recentes lançamentos de séries japonesas pela Focus, qual o mercado que a empresa está priorizando? O adulto ou o infantil? Por quê?

FUCCINós da Flashstar e da Focus não priorizamos um ou outro mercado, nós lançamos produtos para o público infantil (Clássicos Desenhos Infantis), Juvenil (Yu-Gi-OH! GX) e o adulto (filmes como Coleção Guerra, patrimônios da Humanidade, Tesouros da Humanidade). Em todos os seguimentos existe consumidor e, portanto, temos que atuar em todas as frentes.

BJC - Na semana que passou os colecionadores e fãs de Jiraiya e Changeman ficaram surpresos com a má qualidade da imagem dos respectivos lançamentos, em comparação com Jaspion (que está irretocável). O que aconteceu com estes dois títulos?

FUCCIEstou particularmente empenhado em resolver este problema, já trocamos e-mail com a Toei, que diz que as másteres enviadas “teriam que ter qualidade”. Conversei com o laboratório, que fez o sincronismo do áudio, tanto na época da autoração como agora, não nos passaram que o vídeo estava em má condição. A próxima consulta será com o laboratório que autora os DVDs (estou aguardando um laudo do pessoal do áudio) para ver o que pode ter ocasionado este qualidade inferior da imagem.

BJC - A Toei Company (empresa que detém os direitos das séries japonesas citadas) já se pronunciou através do blog Cross World dizendo que as fontes são as mesmas de Jaspion). Se isso for comprovado, existe a possibilidade da Focus Filmes fazer um recall destes lançamentos? Como isso vai acontecer?

FUCCIA Toei não disse que as fontes são as mesmas, mas sim que fizeram o mesmo trabalho que fizeram com o Jaspion. E ainda alerta dizendo que os seriados são velhos. Como respondi acima estamos tentando verificar onde é que está o problema, assim que tiver uma posição, terei o máximo prazer em divulgar.

BJC - Além do problema da imagem, Jiraya está com erros grosseiros nas legendas, conforme já mostrou o blog Tokuplanet. Quem é responsável pela legendagem dos episódios e o que exatamente ocorreu neste caso?

FUCCINão cabe aqui citar a empresa que fez as legendas. Isto seria uma grande falta de ética de minha parte. O que aconteceu? Descuido desta empresa. Teremos que a partir de agora tomar muito mais cuidado com o que fazemos e pra quem entregamos nossos produtos. Também estamos em cima.

BJC - Por fim, quais são os projetos futuros da Focus Filmes a respeito de alta definição? Existe a previsão de quando a empresa lançará o seu primeiro Blu-ray e/ou qual será o primeiro título?

FUCCIA Flashstar e a Focus continuarão buscando produtos para o mercado brasileiro, seja no seguimento de séries japonesas, como Lost Canvas, que já estamos começando a preparar, como também em outros seguimentos.
Blu-ray estamos comprando os elementos (eu  tenho uma opinião lançar BD com poucos elementos, não dá) para poder lançar alguns títulos, tais como Rambo 4, Em Nome do Rei, 88 Minutos
, entre outros. Talvez Cavaleiros dos Zodíaco – Lost Canvas, mas primeiro estamos avaliando os contratos.

>> Observem que nem todas as dúvidas foram sanadas (seja pelos fatos ainda recentes ou pelas próprias limitações que uma entrevista por e-mail gera), mas é importante ressaltar e elogiar a Focus/Flashstar por ela vir publicamente falar de tais casos, inclusive sobre questões que há tanto tempo afligem nós colecionadores (imaginem se as grandes produtoras fizessem o mesmo, sendo mais transparentes). Só resta agora esperar pelas próximas informações, e torcer para que tenhamos produtos de mais qualidade daqui pra frente (como a própria Focus já provou que pode lançar).

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lata gladiador

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Exclusivo: entrevista com Theodoro Alex, presidente da USA Discos

Posted on 14 maio 2009 by Jotacê

Usafilmes

O BJC estréia hoje a nova categoria de entrevistas!

Nesta primeira, procuramos (via e-mail) o presidente da USA Discos, Theodoro Alex, para que ele explicasse algumas das questões mais polêmicas das últimas semanas do BJC: afinal, como uma empresa relativamente pequena consegue lançar títulos que são de propriedade de outras produtoras internacionais? Confira abaixo as respostas do responsável pela empresa que já lançou Dragon Ball, Pica-Pau e Rambo, e que em breve lançará Ben 10, Smurfs e o tão esperado Caverna do Dragão em DVD!

BJC - Há quanto tempo a USA Filmes está no mercado de DVDs? Como tudo começou na empresa, que é tradicional no ramo musical, mas desconhecida da maior parte dos brasileiros na sua divisão de home video?

ALEX – A empresa existe há mais de 17 anos, e DVDs musicais estamos lançando a aproximadamente 10 anos. A empresa, mesmo produzindo especialmente músicas regionais e do sul da América, nunca deixou de buscar atingir o Brasil inteiro. No momento em que enfraquecia a distribuição de filmes em DVDs no mercado brasileiro, bem como o declínio nas vendas de CDs e DVDs musicais foi o momento de apostarmos em novos mercados e novos produtos, com os quais tivéssemos alguma afinidade. E foi assim que entramos no mercado do DVD Vídeo, e daí foi um passo para entrarmos no mercado do CD e DVD de grandes intérpretes internacionais.

BJC - Existe uma polêmica quanto ao licenciamento dos produtos lançados pela USA Filmes em DVD. Como é o processo de aquisição de séries animadas como Dragon Ball e Naruto, por exemplo?

ALEX – A USA Discos negocia, compra e paga antecipadamente os direitos de comercialização de todos os produtos estrangeiros já lançados, bem como futuros lançamentos, que levam a marca da nossa empresa. Obviamente todos estes acordos são feitos mediante contratos. A USAFILMES só lança produtos que possuam contratos escritos. Todos os contratos de produtos comercializados com a nossa marca estão em nosso poder. Os contratos são celebrados diretamente com os detentores dos Direitos ou com representantes internacionais.

BJC - No caso de Dragon Ball, esse licenciamento passou pela Angelotti Licensing (representante no Brasil) ou pela própria Toei Animation? Caso negativo, como acontece a regularização do material audiovisual?

ALEX – O licenciamento foi feito por uma empresa canadense, autorizada pelo braço da Toei, responsável pelo Home Video para a América Latina.

BJC - Como são feitas as negociações com a Warner ou Universal, no caso de Rambo, Pica-Pau ou Flintstones? Ou isso não passa por eles?

ALEX – Isto não passa por eles.

BJC - Os produtos da USA Filmes são desejados por muitos colecionadores brasileiros. Existe a previsão da empresa lançar produtos voltados para esse mercado, com embalagens Digipaks, em latas ou com brindes como a Focus Filmes vem lançando ultimamente? (excetuando a lancheira de Pica-Pau e Flinstones).

ALEX – A USA Filmes tem intenção sim, de satisfazer os desejos dos colecionadores, porém devido ao aumento dos custos finais dos produtos este caso está em estudo. A coleção BEN 10 (15 DVDs) deverá trazer uma revistinha com figurinhas colecionáveis.

BJC - Qual o motivo da USA Filmes não investir numa maior qualidade dos DVDs (como em Dragon Ball por exemplo), incluindo mais episódios por disco, áudio original, legendas e extras? Esse tipo de material é o que torna o produto com características de colecionável. Ou a USA está apenas voltada para o mercado de locação?

ALEX – A qualidade dos DVDs que a USA Filmes vem lançando, depende única e exclusivamente do estado e conteúdos presentes nas matrizes, que nos são entregues. A nossa busca é oferecer ao mercado DVDs com o máximo de riqueza de conteúdos.

BJC - Por fim, você poderia confirmar o lançamento de Caverna do Dragão em DVD no Brasil pela USA Filmes? Como serão as edições em termos de áudio, imagem e embalagem? Podemos esperar um produto colecionável?

ALEX – Caverna do Dragão já foi adquirida pela USA Filmes, porém ainda não chegaram as matrizes, assim sendo, não sabemos as reais condições das mesmas.

lata gladiador

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